terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nas catacumbas só há estupidez?


O Internacional Board vai realizar o seu 123º encontro anual, a 28 de Fevereiro, no País de Gales. O organismo responsável pela criação das leis do jogo prepara-se para fazer mais um disparate, como aliás é seu timbre. Os sábios do futebol vão sair das catacumbas para tentar criar algo a que deram o nome de «caixas de castigo».

No fundo, trata-se de uma exclusão temporária de um jogador sempre que vir um cartão. Algo semelhante ao que acontece no andebol e no hóquei no gelo, onde o jogador é excluído por dois minutos e se senta numa «caixa de castigo».

Faço desde já votos para que esta medida não seja aprovada. Percebo o que pretendem os anciãos com esta proposta, mas não creio que seja a melhor maneira de fazer valer a disciplina. O futebol é um jogo de contacto e as faltas acontecem com uma certa naturalidade. Temos jogos em que os cartões chegam às dezenas, que seria o número de vezes que uma equipa ficaria reduzida. O pior é que se visse dois cartões enquanto o tempo de uma primeira exclusão ainda estivesse a contar, a equipa ficaria reduzida a 9 e por aí em diante. Não me parece solução, além de se estar a desvirtuar a essência do futebol e a torná-lo mais parecido com outras modalidades.

Curioso, é que estes mesmos senhores se opõem à introdução das novas tecnologias para auxiliar os árbitros nas suas decisões, medida já adoptada em muitos outros desportos. Mas como nas catacumbas parece só morar estupidez, vamos mesmo ter que levar com mais dois árbitros, um atrás de cada baliza.

Quando o fair-play não é uma treta

O jogo entre o Godoy Cruz e o Banfield, da primeira jornada do Torneio Clausura da Argentina, disputado no último fim-de-semana, ficou marcado por um lance muito pouco habitual. A um minuto do fim, com um empate a uma bola no marcador, a equipa visitante dispôs de uma grande penalidade. O guarda-redes do Banfield, Cristian Lucchetti, foi chamado à conversão, mas falhou, porque Nelson Ibáñez, guardião contrário, conseguiu defender o remate. Então, em vez de endereçar rapidamente a bola a um colega, para tentar aproveitar o adiantamento de Lucchetti, o jogador do Godoy esperou que o adversário chegasse à baliza e só depois e seguir o encontro, num raro momento de fair-play. O lance ganha ainda maior relevância pelo facto de o Godoy Cruz estar em risco de descer de divisão.

Na minha óptica, se fosse o guarda-redes do meu clube a proceder desta forma, seguramente ficaria um pouco chateado e até era capaz de lhe chamar alguns nomes impróprios, mas reconheço que Ibáñez deu ao mundo uma enorme lição de fair-play.

E vocês, o que acham?

Contador Scolari


Com a saída de Scolari do Chelsea o futebol vê-se, temporariamente, livre de um dos seus maiores embustes. A fama e a cotação do brasileiro excede de uma forma incrível as suas próprias capacidades. Nunca percebi como um técnico tão mau, conseguiu chegar tão longe, treinando duas das melhores selecções do mundo e uma das maiores equipas de Inglaterra.

A esta hora estão vocês a dizer: Lá está ele a cascar no homem. Não o desminto, Scolari é o meu ódio de estimação no futebol. Se o ministro gosta de malhar na oposição, do que eu gosto mesmo é de malhar no Scolari e, por isso, decidi fazer uma contagem, que poderá ser acompanhada na barra lateral do blogue, onde será registado o número de dias que estaremos livres da sua incompetência.


FOTO: AP/SIMON DAWSON

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

E esta...

O médio Mário Bolatti, emprestado pelo FC do Porto ao Huracán, da primeira divisão argentina, até final da presente temporada, sem direito de opção de compra, brilhou no último fim-de-semana no jogo frente ao San Martín de Tucumán, ao marcar o único golo da partida.
Durante a sua passagem pelo FC Porto, Bolatti nunca se conseguiu impor,. nem sequer mostrar qualquer qualidade que nos levasse a compreender a sua contratação. Certo é que logo no jogo de estreia neste regresso à Argentina fez uma destas...


Goodbye Scolari


Scolari nunca me enganou. Logo que chegou a Londres para treinar o Chelsea, não lhe augurei grande futuro: um treinador que há muitos anos só treinava selecções nacionais dificilmente se adaptaria a treinar uma equipa de clube, ainda por cima num campeonato exigente como o inglês. Além disso, penso que Scolari é um treinador mediano, à semelhança de todos, sim todos, os seus compatriotas. Digam-me um treinador brasileiro que tenha tido grande sucesso na Europa?

Nunca duvidei que a passagem por Inglaterra iria acabar ainda antes do final da temporada. Reconheço que nunca esperei que chegasse ao Natal, mas aqui penso que Scolari voltou a ter sorte. A crise económica afectou e muito a fortuna de Abramovich, que fez de tudo para segurar o técnico, evitando pagar mais uma indemnização milionária. Mas paciência tem limites e o clube inglês anunciou hoje o despedimento do treinador.

Só espero que não se levante, uma vez mais, o mítico movimento saudosista de alguns portugueses em relação a Scolari, e que a sua saída do Chelsea não sirva de argumento para folhetins desestabilizadores do trabalho de Carlos Queiroz à frente da equipa das Quinas.


FOTOS: REUTERS

Clássico: Outra vez a arbitragem...


É comum dizer-se que Portugal é o país onde mais tempo se fala de arbitragem, em detrimento da discussão em torno do que é o jogo. Não podia estar mais de acordo com esta afirmação, porém, penso que tudo tem um motivo. Em Portugal passamos horas, dias, semanas, meses e às vezes anos a discutir as arbitragens porque semana sim, semana também, os senhores do apito nos brindam com exibições escandalosas.

O clássico de ontem não podia ter sido diferente. Tudo começou logo na nomeação de Pedro Proença. Tanto se fala em credibilizar o futebol, mas Vítor Pereira, sempre no seu melhor, decide nomear, para aquele que podia ser o jogo do ano e numa altura em que a arbitragem está sob suspeita, um ex-atleta do Benfica. Não quero dizer que Pedro Proença tenha errado por este motivo, até porque a meu ver prejudicou as duas equipas, mas a sua nomeação é uma atitude que dá margem para que se levantem suspeitas. Neste caso, o próprio árbitro deveria ter sido protegido.

Condicionado ou não, a verdade é que Pedro Proença esteve mal no clássico. Tudo começou logo aos 18' minutos, quando Reyes comete grande penalidade sobre Lucho, que não se deixou cair e procurou seguir o lance. Proença esqueceu-se que nas grandes penalidade nunca há lei da vantagem. Ao minuto 26' Sidnei pisa Lucho num acto de conduta violenta e merecedora de cartão vermelho, novo erro grave do árbitro. A culminar a sucessão de erros grosseiros está o lance ocorrido aos 70 minutos, que resulta na grande penalidade que acabou por ditar o empate final. Lisandro arrancou do flanco esquerdo e procurava flectir para o meio, tentando encontrar uma aberta para o remate, quando entra na área, é certo que recebe um toque no peito de Yebda, mas penso que não terá sido o suficiente para grande penalidade. Convém, no entanto, ressalvar que há mesmo um toque de Yebda em Lisandro, ao contrário do que já vi escrito em vários jornais. Da posição em que se encontra Pedro Proença, penso até natural que tenha julgado o lance como faltoso, mas na realidade cometeu mais um erro grosseiro e com influência no resultado.


FOTO: AFP

Braga é que é!


Numa jornada marcada pelo clássico FC Porto-Benfica, acabou por ser o Sporting de Braga a dar o verdadeiro espectáculo em Alvalade, onde venceu por três bolas a duas e encurtou distâncias para o trio da frente.

Honra seja feita à legião minhota e ao seu treinador, Jorge Jesus, que não fosse uma série de arbitragens habilidosas nos encontros com os grandes, e estaria na liderança com uma confortável vantagem sobre os eternos candidatos ao título nacional.

Este Braga merecia muito mais. Mais respeito por parte dos árbitros, da imprensa e dos próprios adeptos, porque é a única equipa que joga futebol espectáculo em Portugal.

Este encontro serviu para provar mais uma vez a minha teoria em relação aos comandados de Paulo Bento. O Sporting tem um bom plantel e não se pode dizer que esteja mal orientado, mas época após época, insiste em falhar nos momentos decisivos. Ontem voltou a provar que é uma equipa sem estaleca.


FOTO: Reuters

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Cardozo ou Suazo?

Está aberta a nova sondagem do Chuto de Letra, onde perguntamos aos nossos leitores quem deve ser o ponta-de-lança do Benfica: Cardozo ou Suazo?

Penso que numa altura em que o hondurenho, grande aposta de Rui Costa para a frente de ataque do Benfica, tem passado por um momento mau em termos de rendimento, é oportuno colocar a questão.

Do meu ponto de vista Cardozo é muito melhor ponta-de-lança do que Suazo. É um típico homem de área com grande sentido de baliza, algo que muitas vezes falta ao jogador que veio emprestado pelo Inter de Milão. Apesar de ter menos tempo de utilização do que Suazo, o paraguaio é mesmo o melhor marcador dos encarnados na Liga, somando 5 golos em 13 jogos, enquanto que o hondurenho leva 4 em 10 partidas. Estes são os motivos que me levam apostar em Cardozo para ponta-de-lança do Benfica.

Porém, se estivesse no lugar de Quique Flores, a minha aposta passaria por introduzir um 4-3-3, semelhante ao utilizado pelo FC Porto, com Reyes à esquerda, Cardozo no meio e Suazo sobre a direita, mas com via aberta para aparecer no lugar do ponta-de-lança e fazer a diferença, graças à sua velocidade e forte leitura de jogo, através de boas desmarcações.

E vocês, o que dizem?

FOTOS: AP/Armando Franca e REUTERS

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Velocidade: A chave do clássico?


FC Porto e SL Benfica disputam amanhã aquele que pode ser considerado como o jogo do ano em Portugal. Os dois primeiros da tabela classificativa têm passado o campeonato a brincar ao gato e ao rato, disputando a liderança, enquanto o Sporting vai perdendo oportunidades de se chegar à frente.

As duas equipas jogam amanhã grande parte das expectativas da época e a chave do vencedor poderá estar na velocidade. É sabido que os portistas têm provavelmente a equipa mais rápida do campeonato do meio-campo para a frente, mas do outro lado poderá estar também a defesa que maior velocidade possui.

Digo poderá, porque só assim o será se Quique Flores escalar para o seu quarteto defensivo aqueles que são os defesa mais rápidos de Portugal. Falo de Maxi, Sidnei, Miguel Vítor e David Luiz. Entendo que esta será a melhor defesa para se opor ao melhor ataque da prova. Deste modo, Luisão terá que ficar de fora, algo que não acredito que o técnico espanhol venha a fazer.

Não percebo a predilecção de Quique, que à imagem dos seus antecessores, insiste em colocar o internacional brasileiro a titular. Nunca fui fã de Luisão. Tacticamente é o pior central encarnado, é demasiado lento e penso que a sua altura aliada a um bom jogo de cabeça, nunca poderá ser suficiente para ser titular de uma equipa como o Benfica.

O outro factor que me leva a ter esta opinião tem nome e chama-se Hulk. O jogador mais rápido e explosivo da Liga Sagres vai com certeza ter instruções para aparecer muitas vezes na zona de Luisão, que será assim obrigado a cometer muitas faltas para o travar, correndo o risco de ser expulso.

Sendo verdade que o Benfica também possuiu um tridente atacante bastante veloz, este problema já não se coloca do ponto de vista dos portistas, porque neste aspecto, Bruno Alves, Rolando, Fucile e Cissokho, não ficam em nada a dever a Suazo, Reyes e Di María.

Penso que temos tudo para ter um clássico vibrante e com muitas ocasiões de golo, assim como acredito que a velocidade será a chave deste duelo, que pode decidir muita coisa na luta pelo título.

Leitores querem demissão de Vítor Pereira


Depois de alguns dias de inactividade devido a motivos profissionais, o Chuto de Letra regressa ao activo para dar conta dos resultados da nossa última sondagem.

À pergunta: Vítor Pereira deve demitir-se? Responderam 19 leitores, sendo que 11 (58%) pedem a demissão do presidente da Comissão de Arbitragem da Liga e 8 (42%) entendem que Vítor Pereira deve continuar a exercer funções.

O equilíbrio da votação prova que este é de facto um tema que divide opiniões. Porém, a minha é a de que Vítor Pereira deve dar o lugar a outro, embora reconheça que seja complicado encontrar uma alternativa credível.

As suas recentes afirmações são a prova de um homem que está desorientado. É certo que Vítor Pereira não tem culpa da incompetência dos árbitros, nem do abandono a que foi deixado pelo presidente da Liga, mas não pode dizer que ao contrário dos clubes, não pode contratar reforços no Inverno, nem dizer às pessoas para ficarem em casa.
FOTO:DR

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mais um escândalo


Para variar, lá tenho eu que voltar a escrever sobre situações que nada dignificam o futebol. Com a chegada do mercado de Inverno, a correria dos clubes na procura de melhores soluções para os respectivos planteis intensifica-se. Apesar da crise económica, que provocou uma redução no número de negócios nesta altura da temporada, alguns clubes aproveitaram para fazer alguns reajustamentos.

Foi o caso do Vitória de Setúbal, que inscreveu cinco novos atletas: Filipe Brigues (lateral direito, ex-júnior); Marc Zoro (central, cedido pelo Benfica); Florent Aziri (avançado, ex- FC Oberneuland); Pawel Kieszek (guarda-redes, ex-Sp. Braga) e Joeano (avançado, ex-Beitar Jerusalem).

Ou seja, um clube que vive uma profunda crise financeira, cuja continuidade está seriamente ameaçada e que acumula salários em atraso, faz cinco contratações. Bem sei que Kieszek e Zoro foram emprestados por Sp. Braga e Benfica, respectivamente, que deverão ficar com a obrigação de pagar o salário dos atletas. Mas e os outros três? Joeano não deverá ser um jogador tão barato como isso! Onde foi a direcção do Vitória sadino arranjar dinheiro para estes negócios? A venda de Cissokho dará para tanto?

A mim parece-me uma irresponsabilidade de quem dirige o clube, e é bom que a Liga comece a pensar em fazer algo para evitar estas situações. Trata-se de concorrência desleal para com outros emblemas, que apesar das dificuldades, conseguem cumprir as obrigações, para além de ser mais um atentado à verdade desportiva.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A seguir vai o Restelo?


O adversário do Benfica na meia-final da Taça da Liga será o Vitória de Guimarães, depois do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, ter hoje rejeitado o recurso do Belenenses, depois da polémica criada em torno do regulamento da competição que estabelece o «goal average» como sistema de desempate, que a Liga interpretou mas como diferença de golos.

Não concordo com esta decisão, embora já estivesse à espera dela. A Liga meteu água ao fazer o regulamento e a decisão do CJ é um autêntico roubo que estão a afazer ao Belém, depois da equipa de Jaime Pacheco já ter sido prejudicada pela arbitragem no jogo com o Benfica.

Desta forma, apetece perguntar: Com tanto roubo, será que da próxima vão levar o Estádio do Restelo?!
FOTO:DR

Quaresma quer mostrar de que é feito... e nós queremos saber


"Estou muito feliz. O melhor que pode acontecer a um jogador é actuar em grandes clubes. Tive muita sorte em ir para o Inter e agora estou agradecido ao mister Scolari e a todos aqueles que tornaram esta transferência possível. Quero jogar o melhor que possa para ajudar o Chelsea a atingir os seus objectivos, porque tudo o que quero é mostrar as minhas qualidades e do que sou feito". Estas foram as primeiras palavras de Ricardo Quaresma como jogador do Chelsea, depois de ter seguido para Inglaterra por empréstimo do Inter de Milão.

Custa-me sempre escrever sobre Quaresma. Primeiro porque sou um grande admirador das suas qualidades, segundo porque irrita qualquer um ver tanto talento e genialidade seguirem para o balde do lixo - neste caso Bidão de Ouro.

Volto a reafirmar que Quaresma tem tudo para ser melhor do que Cristiano Ronaldo, porque tem muito mais talento puro que o jogador do Manchester, mas teima em desaproveitá-lo, porque lhe falta um terço da vontade que o melhor do mundo tem para trabalhar.

Quaresma diz que vai mostrar de que é feito, eu espero que ele nos mostre que consegue afirmar-se e que não será mais um talento a terminar a carreira numa qualquer Naval 1º de Maio.


FOTO: AP/ANTONIO CALANNI

Devia era levar cinco...


A Liga Portuguesa de Futebol Profissional divulgou, nesta terça-feira, o mapa de castigos relativos à última jornada das competições profissionais. Conforme esperado, o lateral do FC porto, Fucile, foi punido com um jogo de castigo, face à expulsão frente ao Belenenses. O jogador fica assim afastado da meia-final da Taça da Liga, frente ao Sporting, mas estará apto a defrontar o Benfica no próximo Domingo, em partida da Liga.

É claro que Fucile forçou a expulsão para poder actuar diante do Benfica, acto que se tem visto muitas vezes nos campos de futebol espalhados pelo globo. Penso que nestes casos os jogadores deveriam ser severamente punidos, embora reconheça a dificuldade que seria regulamentar uma situação deste tipo, por ser complicado enquadrar o acto propositado. Também é verdade que o jogador poderia simplesmente cometer uma falta mais dura sobre um adversário de modo a cumprir os seus objectivos e ver o cartão que mais lhe convém, mas nestes casos confesso que gostaria de os ver levar cinco jogos.

É um acto legal é certo, mas é também uma forma de adulterar a verdade desportiva.


FOTO: REUTERS

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Onde pára o espectáculo?


Nota introdutória: Este é um post sobre futebol.


O Chuto de Letra esteve inactivo nos últimos dois dias, muito por causa de, no passado sábado, ter trocado as bancadas dos estádios de futebol, pelas do Coliseu do Porto, onde assisti a um magnifico espectáculo, proporcionado pelos Kaiser Chiefs. Não, não me refiro ao clube da Liga principal da África do Sul. Falo de uma das melhores bandas da nova geração do pop/rock britânico.

Não tenho dúvida que os Kaiser Chiefs, liderados pelo enérgico Ricky Wilson, deram no passado sábado um dos mais animados concertos do ano - dose que terão repetido ontem em Lisboa - e que, apesar de só ainda estarmos em Fevereiro, ficará na lista dos melhores de 2009.
Tal como o futebol, a música é na sua essência motivo de festa e alegria, mas quando os Kaiser sobem ao palco esta premissa ganha novo fulgor, pois os britânicos transformam qualquer concerto num intenso fogo-de-artifício, sempre comandados por um Ricky Wilson que sabe puxar pelo público.

À imagem de Messi, o cantor delicia com estonteantes dribles sobre os próprios «companheiros de equipa», sempre acompanhados de fantásticos pulos de energia que parecem não ter fim. Com ele em palco a pressão é sempre alta, os passes são sempre feitos verticalmente na procura da baliza - leia-se público -, o que se traduz num manancial de «jogadas de perigo», que acendem os rastilhos para explosões de euforia vindas da bancada.

No Porto, o vocalista dos Kaiser Chiefs teve a assistência na palma da mão, desde o primeiro minuto de «Spanish Metal», até ao final apoteótico de «Oh My God». Pelo meio, foi sacando vários coelhos da cartola - «Ruby»; «You Want History»; «Good Days Bad Days»; «Na Na Na Na Naa»; «Never Miss A Beat»; «I Predict A Riot» «Can't Say What I Mean» - culminando com um monumental «TribunaDiving», quando Ricky Wilson surpreendeu todos e subiu a uma tribuna para depois se atirar para a multidão, num momento incrível de «crowd surfing».

Não será propriamente das coisas mais fáceis de fazer, mas a Invicta estava conquistada, como ficou provado nos momentos que antecederam o Encore, com o Coliseu inteiro a cantar «Angry Mob» a plenos pulmões, como que celebrando uma qualquer histórica vitória da selecção nacional numa competição internacional.

Tudo isto durou uma hora e 20 minutos pelo preço de 35 euros. Sim, paguei 7 contos na moeda antiga para ver um espectáculo de entretenimento incrível, bem menos do que para assistir a alguns dos pobres desafios da nossa Liga. No final, ficou apenas aquela memorável experiência. Não houve casos de arbitragem; não estive sentado num lugar desconfortável, à mercê das intempéries; não tive que levar com promessas de grandes jogadores, que afinal só cá vieram gozar uma reforma antecipada; não ouvi desculpas esfarrapadas da Liga para justificar um qualquer regulamento estranho e melhor que tudo, só perdeu quem não viu, porque os vencedores estavam encontrados à partida - todos aqueles que se deslocaram ao mítico Coliseu.

É esta a sensação que me fez adorar o futebol, mas que há já alguns anos deixei de sentir quase de cada vez que deixo um estádio. Não há espectáculo, não há entretenimento. Só uma névoa que retira todo o brilho que, tal como as actuações dos Kaiser Chiefs, o futebol deve ter.


FOTO: Luís Rocha Graça