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segunda-feira, 2 de março de 2009

O clássico foi enorme


O último fim-de-semana foi animado por mais um clássico, e que clássico. Espectáculo, emoção e golos, muitos golos. A incerteza no marcador foi sempre um aliciante que apimentou, e de que maneira, as incidências de uma partida que ninguém conseguiu largar antes do último apito do árbitro. Afinal, quem teve oportunidade de ver o jogo, assistiu certamente ao encontro do ano.

Normalmente é assim, sempre que Atlético de Madrid e Barcelona se encontram. Um regalo para os olhos dos espectadores, um verdadeiro hino ao futebol. Entre estes dois não há medo de perder o jogo, não existem tácticas defensivas e os jogadores apresentam-se na disputa de cada lance como se fosse o últimos das suas carreiras.

Desta o Atlético venceu por 4-3 e vingou os 6-1 sofridos em Barcelona na primeira volta, mas o verdadeiro vencedor foi o público que se deslocou ao Estádio. A equipa da Catalunha até mostrou vontade de resolver a coisa cedo e à meia hora já ganhava por 2-0, mas os madrilenos não estiveram pelos ajustes, reduziram a desvantagem e mesmo quando Henry fez o 3-1 não baixaram os braços e tiveram força para dar a volta e conquistar uma importante vitória que reabilita o adversário do FC Porto na Champions.

Ao longo da transmissão televisiva houve algo que retive na memória. Faltavam cerca de 10 minutos para os 90 quando o comentador revela um dado estatístico que penso que diz tudo sobre este jogo: "Neste momento já foram feitos 27 remates à baliza". Sublinho o à baliza.

Em Itália também houve clássico e dos bons. Menos exuberante do que o espanhol é certo, mas mesmo assim um enorme espectáculo de futebol. Inter e Roma empataram 3-3, sendo que os romanos cedo se viram a vencer por 2-0. Ao intervalo Mourinho deve ter dito das boas aos seus jogadores, que voltaram ao relvado determinados em evitar a derrota. A Roma ainda chegou ao 3-1, mas o campeão italiano soube sofrer e procurar a felicidade que acabou por lhe ser concedida por um herói improvável, o argentino Crespo.

Foram de factos dois jogos enorme e que valeram a pena ver, ao contrário do que por cá se passou no último sábado. FC Porto e Sporting no Dragão, com o campeonato ao rubro e a estourar de emoção. Na ementa estavam ainda os artistas. Moutinho, Liedson e Izmailov de um lado, Hulk, Lisandro e Lucho do outro. Os ingredientes estavam lá, podia ter sido servido um grande prato, mas tudo o que as equipas quiseram do jogo foi não perder. Objectivo cumprido com o 0-0 final, porém e, como quase sempre acontece, quem joga para o empate, normalmente perde. Foi o que aconteceu no Dragão. O Sporting perdeu a oportunidade de se colocar a um ponto da liderança, o FC Porto de reduzir a disputa pelo título a dois.

Resumindo, em Espanha e Itália os clássicos foram enormes, em Portugal, foi uma enorme seca.

FOTO:AP

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

El increíble Hulk


"Rompeu o Atlético as vezes que quis, arrasando, impondo a potência que lhe dá um físico descomunal, ao que une um pé esquerdo que sabe o que é uma bola" - El País.

"Hulk, que quando arranca tem coisas do imparável Ronaldo dos tempos do Barcelona, mas em canhoto. Foi um pesadelo para a defesa colchonera onde espalhou o caos" - AS.

"As três oportunidades que Hulk organizou nos primeiros dez minutos podiam ter acabado com o jogo" - Marca.

"Hulk foi espectacular, pena que o dianteiro do FC Porto não tenha conseguido o prémio do golo, porque tornou o jogo um verdadeiro pesadelo para os defesas do Atlético de Madrid" - El Mundo Deportivo.

São os jornais espanhóis que o dizem. Ainda há dúvidas de que o FC Porto descobriu, perdido no Japão, um enorme talento do futebol?

FOTO: REUTERS

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

FC Porto: Recordar o Schalke 04 II


Quando foi conhecido o adversário do FC Porto para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões tive a oportunidade de aqui fazer uma analogia com os acontecimentos da última edição da prova milionária.

Há um ano, a equipa de Jesualdo Ferreira também teve pela frente um adversário teoricamente mais fraco, mas acabou por ser eliminada em pleno Estádio do Dragão após o desempate na marcação de grandes penalidades, depois de ter passado os 90 minutos desse jogo a desperdiçar sucessivas oportunidades de golo perante uma frágil equipa do Schalke 04.

Escrevi na altura que este confronto com o Atlético de Madrid teria bastantes semelhanças com a eliminatória da última época e o jogo de ontem deu-me razão.

Este Atlético está mais do que ao alcance da equipa portuguesa, porém, o melhor que os azuis e brancos conseguiram foi um empate a duas bolas. Em condições normais, todos deveríamos considerar que se trata de um resultado bastante positivo e que abre grandes perspectivas de apuramento. Porém, embora concorde, tenho uma visão algo diferente.

Quase todas as épocas há uma equipa portuguesa que se destaca na Europa do futebol, mas que acaba eliminada. Normalmente ficamos com aquele sentimento que só as vitórias morais nos trazem: “Fomos eliminados, mas mostramos que somos superiores ao adversário”. É isto que tem acontecido às nossas equipas e que temo que volte a acontecer.

Ontem, o FC Porto fez um jogo quase perfeito, podia e deveria ter goleado, mas duas falhas defensivas quase deitaram tudo a perder. Este filme é recorrente nas prestações euefeiras das nossa equipas. Criamos um número de oportunidades suficiente para seguir em frente, mas os nosso jogadores teimam em não acertar na baliza. Do outro lado, não se joga tão bem, não se criam tantas oportunidades, mas quando elas aprecem são concretizadas.

É isto que tem feito a diferença e ontem assistimos a mais um destes episódios. O Atlético de Madrid não tem uma única oportunidade além do lance do primeiro golo e Helton tem o azar de dar um frango de proporções bíblicas, passando pelo jogo quase sem fazer uma defesa. A eliminatória está em aberto, quando deveria estar resolvida.

Até quando ficaremos com esta estranha sensação?
FOTO:AP

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Agora é que dava jeito FC Porto


O Atlético de Madrid adversário do FC Porto nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, atravessa uma crise de resultados, tendo saído derrotado dos últimos três jogos.

A falta de resultados no campo está também a gerar várias sub-crises, com os adeptos a pedirem (outra vez) a cabeça do técnico Javier Aguirre e os jogadores a criticarem tomadas de atitude do presidente Enrique Cerezo, que passa a vida a falar mal deles na comunicação social.

O confronto ente espanhóis e portugueses está para breve, mas ao FC Porto dava jeito que fosse já amanhã.
FOTO:AFP

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Maniche: Talento e raça


Maniche é daqueles jogadores que não me canso de admirar. No futebol moderno é o que se pode chamar um «box-to-box», função que cumpre como (muito) poucos. Penso mesmo que com as características do jogador português não haverá outro igual. É de destacar a sua qualidade de passe, visão de jogo e a sua capacidade de rematar de média e longa distância. Tacticamente é quase perfeito e percebe na plenitude quando deve atacar e quando deve defender.

E pensar que esteve quase a perder-se um exemplo perfeito de talento raça, quando ainda no Benfica foi relegado para a equipa B. Porém, o FC Porto e José Mourinho acreditaram nele e lançaram-no para a berlinda do futebol mundial, com as conquistas europeias de 2003 e 2004.

Contudo, a carreira do médio tem sido marcada pelo óptimo e pelo muito mau. Saiu do FC Porto em 2005, para jogar no Dínamo de Moscovo e no pobre campeonato russo. Claramente o dinheiro falou mais alto, mas acredito que se tivesse permanecido no Dragão, ou mesmo se tivesse saído para um clube mediano de uma Liga importante, poderia ter chegado mais longe.

Depois veio o Chelsea onde nunca se afirmou e seguiu-se o Atlético de Madrid onde confirmou todas as suas potencialidade assumindo-se como patrão do meio campo. Porém, Maniche com o seu feitio algo controverso quase deitou tudo a perder e o desentendimento com o técnico Aguirre ditou a saída. O destino foi o Inter de Milão, mas no futebol italiano, curiosamente aquele que me parece que assenta como uma luva nas qualidade de Maniche, o médio voltou a desiludir.

Esta época regressou aos colchoneros onde se tem destacado como uma das pedras mais influentes da equipa que vai defrontar o FC Porto nos «oitavos» da «Champions». Quando visitar o Dragão certamente será ovacionado pelos portistas e talvez nessa altura já tenha renovado a ligação ao Atlético. Quem diria...



Foto: Reuters

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Atlético de Madrid: Recordar o Schalke 04


O sorteio dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, realizado esta manhã na Suíça, colocou o Atlético de Madrid no caminho do FC Porto.

Será uma partida de reencontros, uma vez que os espanhóis têm no seu plantel três jogadores bem conhecidos dos portugueses. Desde logo Maniche e Paulo Assunção, dois antigos jogadores do clube azul e branco, assim como o grego Seitaridis, que vão regressar ao Dragão e terão recepções distintas. A Maniche estará certamente reservada uma tremenda ovação, enquanto que para Assunção estão guardados os assobios. Já o grego, passará indiferente. Depois há ainda Simão Sabrosa, antiga estrela do rival Benfica.

Não se pode dizer que a sorte foi madrasta para os tricampeões nacionais, embora nos últimos anos o Atlético de Madrid tenha aparecido com maior regularidade nos lugares cimeiros da Liga espanhola. Porém, não se trata de um colosso do futebol europeu e acredito que o FC Porto tem todas as hipóteses de seguir em frente.

Todavia, convém não esquecer o que aconteceu na temporada passada, quando os portistas foram eliminados por uma equipa do mesmo calibre. Falo do Schalke 04 que afastou a equipa de Jesualdo Ferreira nas grandes penalidades.


Como joga o Atlético

A grande arma dos espanhóis está na sua frente de ataque, que merece todo o respeito. O argentino Sergio «Kun» Aguero e o uruguaio Diego Forlán são uma dupla muito perigosa, e no apoio está, para além de Simão, o argentino Maxi Rodriguez. Um quarteto de luxo ao qual Jesualdo Ferreira deve dar toda a atenção.

Porém, se do meio campo para a frente os espanhóis têm uma equipa de excelente qualidade, o mesmo não se pode falar da sua defesa. À semelhança das épocas anteriores, o último reduto atléticano continua a revelar alguma insegurança, mesmo com as contratações do último defeso: Coupet para a baliza e ainda os defesas Heitinga e Ujfalusi.

O técnico Javier Aguirre aposta normalmente num 4-4-2, que se transforma muitas vezes num 4-3-3 ora com as subidas de Maxi Rodriguez, ora com a passagem de Agüero para uma das alas.

O último onze utilizado pelo técnico mexicano foi o seguinte: Leo Franco; Perea, Heitinga, UJfalusi e Pernía; P. Assunção, Maniche, Maxi Rodriguez e Simão Sabrosa; Forlan e Agüero.

Os melhores marcadores da equipa espanhola são naturalmente Agüero e Forlan, com 11 golos cada, seguido por Simão e Maxi com 6.


Reencontro 45 anos depois

FC Porto e Atlético de Madrid só se encontraram por uma vez. Foi na temporada 63/64 (há 45 anos) em partida da extinta Taça das Cidades Com Feira. A eliminatória caiu para o lado espanhol, com o Atlético a vencer por 2-1, em casa, e a empatar a zero nas Antas.

Em toda a história o Atlético enfrentou por seis vezes equipas portuguesas (FC Porto, Boavista e Guimarães), contabilizando um saldo positivo: três vitórias; um empate e duas derrotas.

Em termos de partidas que opuseram equipas ibéricas a contar para a Liga dos Campeões, mais uma vez o balanço favorece nuestro hermanos. Em 39 jogos, conseguiram 24 vitorias, 7 empates e apenas 8 triunfos lusos.

Outro facto estatístico que joga contra o FC Porto é o facto de apenas por uma vez uma equipa portuguesa ter ganho em Espanha. Vitória conseguida precisamente pelos dragões na caminha para o título europeu em 2004, diante do Corunha, por 1-0.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Precedente perigoso


A partida da próxima quarta-feira, entre o Marselha e o Atlético de Madrid para a Liga dos Campeões, ameaça tornar-se numa autêntica batalha campal. Tudo, porque no encontro da primeira volta, em Espanha, desacatos entre os adeptos das duas equipas obrigou a uma carga policial sobre as claques francesas.

Devido aos incidentes, o Atlético jogou a partida da última ronda com o seu Estádio vazio, mas o que está a causar apreensão nos responsáveis do clube espanhol, é o facto de na sequência da detenção de Santos Mirasierra, adepto do Marselha, terem chegado ao emblema várias ameaças.

Estas ameaças são feitas pelas claques do Marselha, que exigem a libertação do compatriota, enquanto a justiça espanhola pede oito anos de prisão, o que levou ao anúncio de represálias por parte dos franceses, que ameaçam matar oito atleticanos: um por cada ano de prisão que Mirasierra pode levar.

Este facto levou a uma decisão sem precedentes na Liga dos Campeões: o Atlético só viajará para Marselha no dia do próprio jogo. A atitude dos espanhóis tem o apoio das policias dos dois países e da UEFA e visa evitar ao máximo o contacto entre as duas partes, para prevenir eventuais incidentes.

Claro que garantir a segurança da comitiva espanhola (jogadores, dirigentes e adeptos) é primordial, mas penso que esta atitude significa estar a negociar com terroristas, que utilizam o futebol pelas piores razões e que, eles sim, deveriam ser banidos do desporto.

Talvez marcar o jogo para campo neutro, mesmo outro país, seria uma medida mais correcta e proflática do que esta, que só pode aumentar o ego deturpado de alguns adeptos do Marselha.