
A Selecção Nacional empatou ontem a zero diante da Suécia e deu mais um tiro - de canhão - no pé rumo ao Mundial do próximo ano. Em cinco encontros ( meia qualificação), Portugal venceu apenas uma vez, perdeu outra e empatou por três vezes a zero.
Não é necessário tirar nenhum curso na China para perceber que o que falta a esta selecção são golos, ou alguém que os marque (lembro-me de Liedson). Diante da Dinamarca Portugal fez o melhor jogo desde o 2004, mereceu claramente vencer, mas perdeu por 3-2, sofrendo todos os golos nos minutos finais da contenda. Na Suécia obteve outro nulo, com uma exibição algo pálida e em que procurou sobretudo não perder, porque a divisão de pontos até era um bom resultado. Diante da Albânia, sem fazer um jogo fantástico, os jogadores lusos fizeram o suficiente para garantir os três pontos, mas voltaram a ser ineficazes.
Ontem, vimos basicamente mais do mesmo. Portugal praticou durante largos períodos da partida um futebol de levada qualidade, com boas trocas de bola e com o colectivo a funcionar, mas voltou a falhar nos últimos metros, não conseguindo fazer um golito que nos desse a vitória.
Contudo, este post não é propriamente sobre o jogo de ontem, mas antes sobre porque defendi, defendo e continuarei a defender a continuidade de Carlos Queiroz, mesmo que, como já aqui escrevi, Portugal fique a ver o Mundial pela T.V.
A parte mais visível do trabalho de qualquer seleccionador assenta basicamente em dois pilares. Um está relacionado com a escolha dos jogadores e outro consiste em coloca-los a praticar um futebol que garanta vitórias e que seja atractivo. Ao nível da escolha de jogadores penso que Queiroz tem acertado, embora se possa sempre discutir uma ou outra opção, mas penso que qualquer português que tivesse o trabalho do seleccionador não iria fugir muito aquilo que têm sido as suas opções.
No outro ponto considero que a equipa cresceu ao nível do futebol jogado desde que Carlos Queiroz assumiu o comando. Não só dá melhores espectáculos - excluindo a tragédia no Brasil, penso que Portugal não fez nenhum jogo que tivesse sido verdadeiramente mau - como tem criado melhores e mais oportunidades. Porém, os golos não aparecem por duas razões. Não aparecem porque a pontaria não tem sido a melhor e porque Portugal simplesmente não tem um «matador».
O trabalho de Carlos Queiroz consiste então em escolher um bom lote de jogadores e colocar a equipa a jogar bem, mas não lhe compete a ele fazer os golos. Não estou a culpar os jogadores pelos maus resultados. Acredito que simplesmente é futebol. Portugal só venceu um jogo neste apuramento mas podia ter vencido os cinco. Jogou o suficiente para o fazer. Não o fez e no futebol o que interessa são os resultados, mas não me parece que Queiroz seja sequer culpado disso.
Continuo a acreditar no projecto Queiroz e penso que, neste momento, em Portugal, não há uma melhor alternativa.
Se vamos estar no Mundial? Se vencermos os cinco encontros que faltam acredito que sim, mas um só deslize e é mesmo o adeus que muitos já anunciaram.
P.S. - Agora podem bater à vontade a caixa de comentários está, como sempre, aberta a todos.
FOTO:REUTERS